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Pré-candidato a Governador Marcelo Maranata (PSDB) visita a União Gaúcha e ouve demandas dos servidores públicos

Terça-Feira, 28 de Julho de 2026

A União Gaúcha recebeu o pré-candidato a governador pelo PSDB, Marcelo Maranata, ex-prefeito de Guaíba e ex-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), em reunião que reuniu sindicatos e associações de diversas carreiras, incluindo juízes, promotores, defensores, procuradores e servidores de múltiplas especialidades.

Ao se posicionar após a apresentação do candidato, o presidente da  Aspge/RS, Sérgio Serpa, fez um pronunciamento contundente que resumiu as principais angústias dos servidores públicos gaúchos. Seguem os trechos mais relevantes de sua intervenção:

A União Gaúcha sempre se pauta pela firmeza e honestidade. O senhor falou sobre a dificuldade do empresário em ingressar na vida pública. O senhor imagina a dificuldade nossa do ingresso à vida pública - Porque algumas associações aqui inclusive são de pessoas proibidas de ingressar na vida pública — algumas carreiras exigem que se aposentem. E a nossa aposentadoria, o senhor sabe que reformas sucessivas fizeram com que eu digo particularmente que eu não vou me aposentar, eu vou me encaixotar — vai ter um dia em que, pum, pum, acabou a minha vida útil.

Sérgio Serpa destacou que, apesar do estado ter alcançado superávit orçamentário, os servidores não receberam sequer a Revisão Geral Anual (RGA) de reajuste salarial, ressaltando a contradição entre os resultados fiscais positivos e a negligencia dos direitos dos trabalhadores públicos:

O senhor entregou o município de Guaíba com superávit. O governador atual foi eleito pelo seu partido. Antigamente, se víamos um governador que conseguia fazer o estado ter superávit, ficávamos esperançosos. Mas nós estamos em um estado que as contas públicas foram saneadas e, quando chega a nossa vez de imaginarmos o que vamos ter com isso, sequer a revisão anual nós conseguimos.

O presidente da União Gaúcha enfatizou que a entidade se caracteriza pelo diálogo e pelo acordo, e não pela confrontação — mas que, nos últimos anos, nem mesmo a via consensual surtiu resultados:

A União Gaúcha é do acordo, é de receber todas as matizes. O senhor está aqui conosco e nós estamos lhe ouvindo. O senhor é um empresário. Nós estamos aqui lhe ouvindo atentamente e nós não conseguimos até agora, nos últimos anos, nada pela via consensual. Sequer a revisão anual, sequer os 13% que se imaginava veio pela via do acordo.

Serpa também expressou profunda preocupação com a emigração de gaúchos, especialmente jovens qualificados, para outros estados:

Eu fico preocupado porque vejo a todo momento que o Rio Grande do Sul é maravilhoso, que nós atingimos vários índices, sanear nossas contas, o nosso estado é maravilhoso — e Santa Catarina cada dia tem mais gaúchos. Que maravilha é essa que só quem fica no Rio Grande do Sul são pessoas que fizeram a carreira e daqui não podem sair mais?

Durante a fase de perguntas, Serpa reforçou a gravidade da situação dos aposentados e pensionistas, revelando que a contribuição previdenciária impostas aos aposentados equivale ao valor do 13º salário, fazendo com que eles percam liquidez em seus rendimentos:

A contribuição previdenciária do aposentado corresponde ao 13º. Então ele não tem um 13º salário. Além de não ter revisão, ele começou a ter um líquido menor. Pensionistas da fazenda desde 2007 tiveram apenas dois reajustes de 1%. São anos a fio sem reajuste. Nominalmente, o salário dos nossos aposentados diminuiu. O Rio Grande do Sul passou a ser algo que tira autoestima e esperança até dos nossos idosos.

O pré-candidato, que governou Guaíba por dois mandatos e deixou a prefeitura com 92% de aprovação, apresentou suas principais ideias para o estado:

- Enxugamento da máquina pública: Fusão de secretarias redundantes, corte de gastos em comunicação governamental e análise rigorosa do orçamento para identificar desperdícios.

- Nova matriz econômica: Transformação do agronegócio (ao invés de exportar grão *in natura*), fortalecimento da indústria de energia (eólica, solar e offshore) e criação de um cluster de saúde — centro de diagnóstico, pesquisa, laboratórios e hospitais — com investimentos da Índia e Arábia Saudita.

- Renovação do Funigs (Fundo de Garantia de Crédito ao Setor Público) e negociação coletiva da dívida com o governo federal, possivelmente em bloco com outros estados.

- Aprovação do Propag (Programa de Reestruturação da Dívida) como passo inicial, seguido de renegociação.

- Compra de precatórios no mercado financeiro para reduzir o impacto do pagamento da dívida.

- IP Saúde expandido: Atração de novas vidas (de outras classes) para diminuir o sinistro e transformar o instituto em um grande negócio que possa servir de modelo para outros estados.

- Concordância com a fixação de uma data-base para negociação salarial com critérios ligados ao crescimento econômico do estado.

Maranata se comprometeu a ouvir os servidores e incluir suas demandas no plano de governo, e declarou que assinaria o Propag — desde que consultado sobre os termos — e que trabalharia para sanear a dívida historicamente acumulada.

Ao final do encontro, a União Gaúcha entregou ao candidato um dossiê com suas principais demandas legislativas, incluindo:

- PEC da Data-Base (recuperação de perdas salariais e institucionalização da mesa de negociação)

- PEC do Fim do Confisco Previdenciário (extinção gradual da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas)

- Pensionistas sem paridade — regulamentação para que recebam reajuste conforme o regime geral

- Ações no STF (ADI com sete votos) e no Congresso Nacional (PL 19.83 sobre negociação coletiva no serviço público)

O candidato encerrou a visita com uma promessa:

Eu vou voltar aqui como governador do estado do Rio Grande do Sul. Mas só vai estar quem estiver na reunião de hoje — aqueles que não vieram quando eu estava com 2% na pesquisa não vão entrar.

A União Gaúcha reafirma seu compromisso de receber todos os candidatos, de qualquer partido, para apresentar as demandas dos servidores públicos gaúchos. O diálogo com a classe política é parte fundamental da nossa atuação em defesa da previdência pública, da saúde e dos direitos de quem serve o estado.


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